Perguntas · Journaling e bem-estar
36 perguntas para escrever no luto, com calma
Perguntas para guardar quem partiu — a voz, a comida, a letra — e para anotar como está o seu dia. Nenhuma pede o pior momento.
36 perguntas em 6 blocos. Escolha uma, responda em três frases, feche. Amanhã escolhe outra.
Escrever no luto não organiza o luto. Isso precisa ser dito antes de qualquer pergunta, porque muita gente abre um caderno esperando que a dor diminua ao ser explicada, e não é assim que funciona. O que escrever faz é menor e mais concreto: guarda a pessoa. A voz, o jeito de rir, o que ela dizia quando o assunto era dinheiro.
E é por isso que existe uma pressa esquisita, num momento em que ninguém quer ter pressa. Detalhe se apaga rápido. Em dois anos você lembra que ela cozinhava bem, mas já não lembra o tempero, a ordem das panelas nem a frase que ela repetia na cozinha. Não é falha sua, é como a memória trabalha.
O outro motivo é que o luto tem uma parte prática que ninguém conta: a hora do dia que é sempre pior, a frase bem-intencionada que irritou, a pessoa que apareceu e você não esperava. Anotar isso ajuda a perceber que existe uma forma, e forma é mais fácil de atravessar do que uma coisa sem nome.
As perguntas abaixo não pedem que você descreva o pior momento nem explique o que sente. Elas perguntam quem era a pessoa e como está o seu dia. Responda uma, feche o caderno, e volte quando quiser — inclusive nunca.
Sorteie uma
Sorteie uma pergunta de luto
Qual era o nome que você usava para chamar essa pessoa?
36 perguntas neste baralho. Nenhuma repete antes de todas saírem.
Quem era
- Qual era o nome que você usava para chamar essa pessoa?
- Como era a voz dela: rápida, baixa, arrastada?
- Qual era a comida que ela fazia melhor?
- Que roupa você lembra nela?
- Como ela ria?
- Que assunto ela puxava sempre?
As coisas dela
- Que objeto dela está com você agora?
- Onde você tem a letra dela guardada?
- Que música era dela?
- Que cheiro te devolve ela por um segundo?
- Que lugar era o lugar dela?
- Que planta, bicho ou coisa dela continuou viva?
O dia de hoje
- Em que momento de hoje ela apareceu?
- Que coisa você fez hoje que ela ensinou?
- Você falou o nome dela em voz alta hoje?
- Qual hora do dia é a mais difícil, e você já sabe qual é?
- O que te ajudou a atravessar a tarde de hoje?
- Que tarefa simples ainda está pesada esta semana?
O que as pessoas dizem
- Que frase bem-intencionada te incomodou?
- Quem apareceu e você não esperava?
- Que ajuda prática alguém te deu, e resolveu?
- O que você gostaria que as pessoas perguntassem?
- Com quem você consegue falar dela sem precisar explicar nada?
As datas
- Que data está chegando, e você já decidiu como quer passar?
- Como foi o último aniversário dela?
- Que lugar você ainda não voltou?
- Que ritual seu você inventou, mesmo pequeno?
- Que foto você escolheu deixar à vista, e por que essa?
O que você quer guardar
- Que história dela você quer que outra pessoa saiba?
- Que conselho dela você usaria hoje?
- O que ela diria da sua semana?
- Que piada só vocês dois entendiam?
- Que parte dela você reconhece em você?
- O que você quer contar a ela quando puder?
- Que agradecimento ficou sem ser dito, e você pode escrever aqui?
- Se você escrevesse uma linha sobre ela no álbum, qual seria?
Responder é a parte fácil quando a pergunta chega até você. No Crônica ela chega no horário que você escolher — e a resposta volta ilustrada.
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