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Crônica

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Monte a sua carta para o futuro

Quem senta para escrever “para mim daqui a dez anos” congela na primeira linha. O que falta não é vontade: é o que perguntar.

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9 de setembro de 2036

Para mim, daqui a 10 anos. Hoje é o dia em que eu escrevi isto, e eu estava assim:

O roteiro

1. Onde eu estou hoje

  • Onde você mora, com quem, e como é a sua rotina numa terça-feira comum?
  • Quanto custa o café que você toma? E o aluguel?
  • O que está tocando, passando e sendo assunto?
  • Que preocupação ocupa a sua cabeça neste mês?

2. O que eu espero e o que eu temo

  • O que você espera que já tenha acontecido quando abrir esta carta?
  • Qual medo de hoje você acha que vai parecer pequeno depois?
  • Que decisão você está adiando agora?

3. O que eu não quero esquecer

  • Que detalhe da sua vida atual você tem certeza de que vai esquecer?
  • Quem está por perto hoje e talvez não esteja depois?
  • Que hábito bom você tem agora e não quer perder?

4. A última linha

  • Uma coisa que você quer que essa pessoa saiba, sem rodeio.
  • Uma pergunta para ela responder no dia em que abrir — e uma folha em branco para isso.

Por que o roteiro importa mais que a carta

Toda carta para o futuro escrita sem roteiro sai igual: um parágrafo de conselho genérico e um desejo de felicidade. O que a pessoa que abrir vai querer é outra coisa — o preço do café, o nome da rua, a preocupação daquele mês, o que você tinha medo que não acontecesse.

Concreto envelhece bem. Conselho, não. Se quiser mais perguntas para escrever, os pacotes de perguntas servem — e o guia de memórias de família tem o roteiro de entrevista para quem quer gravar os mais velhos antes que seja tarde.

Uma carta é um dia guardado de propósito. O Crônica guarda os outros trezentos e sessenta e quatro.

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